1) Todo o tipo de obesidade leva ao mesmo risco para a saúde.
Mentira. Além do grau da obesidade (quanto mais gordo o indivíduo maior o seu risco), a disposição da gordura no corpo também é fator de risco. Assim, quando a pessoa tem acúmulo de gordura no tórax e principalmente na barriga (obesidade central ou em "maçã") a possibilidade de ocorrer diabetes, pressão alta, colesterol elevado, problemas cardíacos é muito maior do que se tivesse excesso de gordura nos membros e nádegas ( obesidade periférica ou em "pêra"). A obesidade central também é chamada de andróide, porque ocorre mais no sexo masculino, e a periférica de ginecóide, por ser mais comum em mulheres.
2) As dietas que melhor funcionam são as que evitam certa mistura de alimentos ou as que utilizam apenas um tipo de alimento por dia.
Mentira. Todas as dietas funcionam quanto à perda de peso, desde que a pessoa esteja motivada. No entanto, estas dietas de moda não tem qualquer fundamento científico, carecem de fatores nutritivos apropriados, e não resistem ao tempo. A dieta ideal deve ser equilibrada, conter todos os nutrientes que o organismo necessita, e educar o paciente para mantê-la a longo prazo. Para tanto, é importante que a pessoa se familiarize com o valor calórico dos alimentos. Há mais de 20 anos utilizamos um sistema de pontos - uma forma simplificada e atraente de se lidar com calorias - que se mostrou muito útil no processo de reeducação alimentar. Cada ponto corresponde a aproximadamente 3,6 calorias, e dependendo do sexo, idade e atividade física, uma pessoa terá direito a consumir de 220 a 350 pontos por dia.
3) Exercícios físicos são importantes em um programa de emagrecimento.
Verdade. Os exercícios físicos auxiliam o emagrecimento por 2 motivos: aumentam o gasto calórico e tendem a relaxar a pessoa, diminuindo a ansiedade e a compulsão alimentar. Adicionalmente, se realizados adequadamente, tem efeito benéfico para o coração, pressão arterial, pulmões, etc. Embora existam atividades físicas mais completas do que outras (natação, por exemplo), o melhor exercício é mesmo aquele que a pessoa gosta de fazer, porque dará continuidade ao mesmo. Devemos alertar, no entanto, que é muito difícil perder peso apenas com exercícios: 1 hora de caminhada em ritmo moderado leva à perda de 300 calorias, valor encontrado em 1 hambúrguer ou em 3 maçãs ! Desta forma, os exercícios físicos são muito bem-vindos como auxiliares da dieta de emagrecimento.
Lembramos ainda que, ao exercitar-se regularmente, você aumentará a sua massa muscular à medida em que perde gordura. Desta forma não estranhe se seu IMC não se reduzir proporcionalmente à melhora de sua silhueta.
4) Grande parte dos casos de obesidade são devidos à distúrbios das glândulas endócrinas.
Mentira. As causas hormonais respondem por menos de 5% das obesidades. A tiróide é a glândula mais freqüentemente acusada de causar obesidade. De fato, pessoas que têm hipotiroidismo (redução do funcionamento da tiróide) apresentam metabolismo mais lento. Por outro lado, têm menos apetite. Desta forma, dificilmente um paciente com hipotiroidismo será um verdadeiro obeso. Em geral, a maior parte de seu excesso de peso corre por conta do acúmulo de líquidos que ocorre nesta doença. No entanto, por indução de maus profissionais, muitas pessoas tomam hormônios de tiróide sem necessidade, na premissa de que irão emagrecer. Assim, os hormônios tiroidianos somente devem ser administrados a pessoas nas quais a tiróide realmente funciona pouco.
5) Os moderadores de apetite tem o seu lugar no tratamento da obesidade.
Verdade. Embora a dupla dieta/exercícios seja a mola mestra na perda de tecido gorduroso, por vezes é importante a utilização racional de moderadores de apetite. Eles podem ser classificados em 2 grupos:
a) Inibidores da fome: são drogas que apresentam efeitos atenuados da anfetamina: tiram realmente a fome, mas seu efeito tende a diminuir em cerca de 1 a 2 meses de tratamento. Por outro lado, podem levar a sintomas como boca seca, nervosismo, insônia, batedeira no coração, redução do apetite sexual. Podem ainda levar à dependência. Devem, portanto, ser utilizados com critério, sendo contra-indicados em pessoas cardíacas, com pressão muito alta, ou com problemas psiquiátricos. O uso em crianças e idosos deve ser excepcional. Exemplo destas drogas são a dietilpropiona (anfepramona), o fenproporex e o mazindol. Bons candidatos ao uso destas drogas são pessoas que não eram obesas e engordaram circunstancialmente: mulheres após gestação, executivos que passam para uma função que os obriga a freqüentar almoços de negócio ou pessoas que, ao casar, suspenderam os esportes.
b) Promotores de saciedade: são medicamentos que aumentam o nível de uma substância presente no organismo, chamada serotonina. A serotonina tem a propriedade de avisar à pessoa que ela já comeu o suficiente, ou seja, que ela está saciada. No entanto, não se sabe se por causa ou efeito, algumas pessoas produzem menos serotonina em resposta à alimentação, e são mais dificilmente saciáveis. É o clássico exemplo da mulher que, mesmo após o jantar, "acaba" com uma caixa inteira de chocolate: é a comedora compulsiva. Estas drogas, cujo principal exemplo é a dexfenfluramina, que, ao contrário dos medicamentos citados acima, não levam ao nervosismo (pelo contrário, podem até dar sono acentuado), e reduzem a pressão arterial. Adicionalmente, podem ser utilizadas por períodos maiores, sem perder o efeito. No entanto, também levam à secura bucal, podem reduzir a libido, e, muito raramente, levar a um problema clínico sério, a hipertensão pulmonar.
A decisão do uso de drogas moderadoras do apetite (anorexígenos), bem como a escolha do remédio ideal para cada paciente, deve caber ao especialista.
pesquisado: http://www.saudetotal.com.br/artigos/endocrinologia/obesidade.asp
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